Em um porão de estética totalmente cyberpunk no submundo de San Francisco, a REK (que poderíamos descrever como o UFC dos robôs) organizou o primeiro combate clandestino de humanoides do Ocidente. Garimpamos os momentos mais viscerais dessa noite histórica para você.
Esta foi a estreia absoluta de uma modalidade de combate onde os “gladiadores” — dois modelos Unitree G1 — foram controlados via simulação de realidade virtual (VR). No comando das máquinas, tivemos um duelo de titãs: Justin Kan (o lendário fundador do Twitch) e Hyder Amil (lutador peso-pena do UFC), imersos em uma atmosfera que emulava perfeitamente a tensão de um octógono real, com direito a árbitro oficial e tudo mais.

Estamos diante de um marco tecnológico, e nós, da revista Robohorizon, temos o orgulho de ter participado de perto dessa experiência — se você aguçar a visão, verá nosso logo estampado na perna direita do robô vermelho.
Contudo, é preciso pontuar que este é um gênero que caminha sobre o fio da navalha. Nós mesmos temos nossas ressalvas ao ver esses prodígios da engenharia em situações de agressividade; afinal, acreditamos piamente que o propósito fundamental dessas máquinas deve ser o suporte e a assistência aos seres humanos. Essa deve ser, sem sombra de dúvida, a prioridade máxima do setor.

Sejamos honestos: se dermos um passo atrás, muitas atividades que hoje rotulamos como “esportes” podem parecer bizarras ou, sob certa ótica, até sem sentido. Talvez este combate robótico seja apenas a versão do século XXI de uma válvula de escape necessária. Algumas pessoas têm uma necessidade intrínseca de extravasar a adrenalina, e esta é uma solução high-tech fascinante. É, com certeza, uma alternativa muito mais saudável do que humanos causando danos permanentes uns aos outros.
No fim das contas, talvez estejamos apenas presenciando a evolução dos videogames ou a ficção científica ganhando corpo e metal.

Em vez dos cinco rounds planejados, o robô azul selou a vitória com o que poderíamos chamar de nocaute técnico no terceiro assalto. Ficou claro que a latência ou a complexidade dos comandos ainda é um desafio, já que os operadores suaram para conseguir uma precisão cirúrgica. Mas, após alguns golpes certeiros, o robô vermelho perdeu o braço e, em seguida — presumivelmente após danos críticos nos sensores da cabeça —, os combatentes ficaram virtualmente incapacitados. O futuro chegou, e ele tem cheiro de óleo lubrificante e circuitos superaquecidos.













